terça-feira, 7 de junho de 2011

roth. muito roth.

lido de um trago. como que um resumo do sentir e do escrever do homem (homem) roth.
uma personagem como espelho do esvaziamento. do total esvaziamento.

a humilhação
philip roth
[2011]
"e se é assim tão difícil uma pessoa matar outra, alguém que tem todas as razões para querer destruir, imagine-se como é difícil a pessoa matar-se a si mesma."

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ad.

"não estarás tu a par do caso das eleições?
- não, nunca leio os jornais.
- esse não vinha nos jornais. contaram-mo.
- diz lá então.
- ora ouve! o caso passou-se há pouco tempo, numa aldeola do baixo egipto, durante as eleições para a junta de freguesia. quando os funcionários do governo abriram as urnas, notaram que na maioria dos boletins de voto estava escrito o nome bargute. ora os ditos funcionários do governo não conheciam tal nome, que não figurava na lista de nenhum partido. inquietos, logo se puseram à cata de informações; e acabaram por saber, pasmados de todo, que bargute era o nome dum burro por quem toda a gente da aldeia nutria muita estima, por via da sabedoria do animal. quase todos os moradores tinham votado nele. que me dizes tu a esta história?"
(albert cossery | mendigos e altivos [1955])





bom dia a todas e a todos.


dia cinzento este. dia cinzento.


prometida a mudança, o mesmo discurso. o de sempre. o de sempre.


a mudança adiada. empanada.
a mudança que emergirá de uma nova relação.
de uma nova relação da pessoa. consigo. com a/o outra/o. com o estado e a sociedade.
de uma nova relação do estado e da sociedade. consigo. com os outros estados e sociedades. com a pessoa.


e com uma nova relação, novos vínculos. novos compromissos. um novo envolvimento. uma outra comunicação.


assim e só assim.


este mês passa um ano sobre o desaparecimento de uma pessoa ímpar. josé saramago. um dia, ele, josé saramago, pensou e escreveu um texto, um pequeno texto, que muito me marcou. dizia "penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a que tenha paciência (...) obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. já é hora de que ela se note no mundo para que alguma coisa comecem a aprender aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças." (esperanças | jornal de letras; 10.02.2009)
eu não sei se sou, mas estou pela impaciência.

e aqui vos convoco: impacientemo-nos. hoje. hoje por amanhã.

sábado, 4 de junho de 2011

liberdade

uma bíblia da comtemporaneidade.
um livro obrigatório. pelo pensamento do autor. pela fluidez estonteante da sua escrita.
obrigatório.

liberdade
jonathan franzen
[2011]

"a personalidade susceptível ao sonho de uma liberdade sem limites é uma personalidade também propensa, se o sonho azedar, à misantropia e à raiva"

"que não, eles não foram apenas a pior coisa que aconteceram um ao outro, também foram a melhor"

público. jornal de (r/d)eferência?

sexta-feira, 3 de junho de 2011.

"novo director do the new york times é uma mulher"
pela primeira vez em 160 anos uma mulher ocupará o cargo de directora do the new york times"...

fraco. muito fraco. e incoerente. muito incoerente. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

*****

el titiritero
horácio peralta
tgr (évora)
[1.6.2011] 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

bime 2011.

terça-feira, 31 de maio de 2011

dois pesos.

por vezes detenho-me a pensar no cuidado e peso que colocamos no momento actual sem pensar nos momentos que hão-de vir.

cuidado(s) connosco. não com todos nós.

é dramático. é dramático.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

a contemporaneidade grega...

...nos filmes gémeos ("kynodontas") do cinema frame-to-frame.

attenberg
athina rachel tsangari
[2010]

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ligação.

onde, quando e porquê se cruzam estas histórias.
aqui, no último momento possível (mastrioanni faleceu nesse ano) e porque tinha que ser.
a olhar. cuidadosa e atentamente.

trois vies & une seule mort (três vidas e uma só morte)
raoul ruiz
[1996]

sábado, 21 de maio de 2011

sol. porta para o...


o que falta acontecer mais, quando um país "moderno" tem 45% de jovens desempregados (com menos de 25 anos), para que se questione este(s) sistema(s) da sociedade?

o que falta para que se mude o/de discurso?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

deambulações.

aqui...

"a raridade não está naquele momento em que julgamos encontrar a pessoa certa; é sim, passado tanto tempo, aquela ainda ser a pessoa certa. até que o tempo desista de si próprio."
(e) aqui...


"não estarás tu a par do caso das eleições?
- não, nunca leio os jornais.
- esse não vinha nos jornais. contaram-mo.
- diz lá então.
- ora ouve! o caso passou-se há pouco tempo, numa aldeola do baixo egipto, durante as eleições para a junta de freguesia. quando os funcionários do governo abriram as urnas, notaram que na maioria dos boletins de voto estava escrito o nome bargute. ora os ditos funcionários do Governo não conheciam tal nome, que não figurava na lista de nenhum partido. inquietos, logo se puseram à cata de informações; e acabaram por saber, pasmados de todo, que bargute era o nome dum burro por quem toda a gente da aldeia nutria muita estima, por via da sabedoria do animal. quase todos os moradores tinham votado nele. que me dizes tu a esta história?"

terça-feira, 17 de maio de 2011

ba(i)l(e).

baile de sentidos.
de cores. de emoções.
lindo.

bal (mel)
semih kaplanoglu
[2010]

hoje...

..é o teu dia...
dou-me (tens-me) a isso.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

another. only another.

longe, longe, longe do brilhante naked.
mesmo longe.

another year (um ano mais)
mike leight
[2010]

quarta-feira, 11 de maio de 2011

lembra-me um sonho lindo.

lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado

estala-me a veia em sangue

estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada

canta rouxinol canta

não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas

afoga-me o corpo todo

se te pertenço,
rasga-me o vento ardendo
em fumos de incenso

lembra-me um sonho lindo

quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado


estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada

ai como eu te quero,

ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda, assim deitada

ai como eu te amo,

ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara, tão desejada 

 [fausto]

segunda-feira, 9 de maio de 2011

symmetry.

agosto. portugal.

quando o filme se confunde com a realidade.
quando portugal é o filme.
e o filme portugal.

aquele querido mês de agosto
miguel gomes
[2008]

domingo, 8 de maio de 2011

world citizen.

de 80 a 8.

apesar da afirmação de um ritmo e de uma vontade peculiar, própria, o filme caminha do 80 ao 8... e onde começa ele e ela?
onde?

somewhere
sofia coppola
[2010]

sábado, 7 de maio de 2011

la double vie de [?]...

sim, a perfeição não existe. mas é tão intenso quando nos deparamos com algo que nos faz questionar isso. tão, tão intenso.
kieslowski e irène jacob, brilhante(s).

la double vie de veronique
krzysztof kieslowski
[1991] 

"e como vão as coisas?" | "bem. até tenho medo da forma como vão tão bem."
"278"

sexta-feira, 6 de maio de 2011

welcome!

welcome lioret.
welcome.

welcome (bem-vindo)
philippe lioret
[2009]

quinta-feira, 5 de maio de 2011

pilar, pilar, pilar. rosé, rosé, rosé.

como o pi pi pi da máquina que confirma o não-fim dos sinais vitais. a vida.
este homem não morre. nunca.

...e o sr. josé lembra-se de ter colocado aquele ferro comigo na festa?
um sorriso e um "ah, quando ainda punha ferros. quando ainda punha ferros."

josé e pilar
miguel gonçalves mendes
[2010]
"sentir como uma perda irreparável o acabar de um dia... 
isso é a velhice."

resultado(s) antecipado(s).

ontem,


hoje,

no futuro.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

(in a) better world?

a mulher que filma os homens odiosos (e os potenciais homens odiosos) com a sua sensibilidade a gerar (criar e recriar) oportunidade(s) de...
e que cor.

haeven (in a better world)
susanne bier
[2010]

terça-feira, 3 de maio de 2011

amor(es).

"...vagueava por aí possuído por dois tipos de amor, um de grande dimensão, outro comum, sendo que o comum me parecia maior que o outro."

robert walser

segunda-feira, 2 de maio de 2011

o homem. o homem.

a cor inigualável.
o humano (?) olhado por uma mulher.
a reter.

firaaq
nandita das
[2008]
"a work of fiction, based in a thousand true stories"

domingo, 1 de maio de 2011

voto rei.

grande desplechin.
grande.


rois & reine (reis e rainha)
arnaud desplechin
[2004]
"deiner mutter seele peitscht die haie vor dir her"
[a alma da tua mãe protege-te dos tubarões]

sexta-feira, 29 de abril de 2011

o verdadeiro dia da mulher.

hoje passam 44 anos que a aretha a cantou pela primeira vez...
como se fosse [a] única.
respect!!!

vergílio, vergílio.

como este homem amou.
como amou.

"são um povo evoluído os esquimós. têm a genialidade do que é simples, que é o mais complicado"

"mas ela não entende que o maior prazer de quem precisa é haver quem precise mais"

quinta-feira, 28 de abril de 2011

48

sou tão (tão) pequenino perante estas Pessoas.

48
susana sousa dias
[2010]

amar-te...

amar-te é sentir uma pulsação e não perceber se é a minha ou a tua.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

200000

avante!

cuidado...

terça-feira, 26 de abril de 2011

(re)conhecer

e se eu te dissesse que não te reconheço, não por teres mudado, mas porque eu próprio mudei?

roth, roth.

"suicidar-me seria idiota. mas tive alguns amigos que o fizeram. todos os que cometem suicídio têm uma escolha, que é sair disso, mas não conseguem."

philip roth

watson, patrick watson.

músico(s) fantástico(s).
um concerto. um concerto.
a acabar assim...
sem ela. por ela.



patrick watson
aula magna
[25.04.2011]

segunda-feira, 25 de abril de 2011

sempre. por um mundo sem "orbán(s)".

era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra
(...)
ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo 

ary dos santos

porque o início é aquilo que connosco fica até ao fim, façamos abril... vivamos abril.
por ti.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

porto.

hoje (e ontem), cinzento porto.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

propósitos.

"os propósitos de vida não se dividem em úteis ou inúteis, justos ou injustos, para isso há decálogos que cheguem. não matarás não é um propósito de vida, é uma regra. sscrever pode ser um propósito de vida. amar aquela pessoa pode ser um propósito de vida. porque não se sabe onde vai dar nem o que nos trará pelo caminho. mas sabe-se que uma vez começado jamais poderemos continuar como se nunca tivesse começado."

luís mourão

a verdadeira liberdade.

"nada se pode esperar. nada se pode oferecer aos altares vazios da história e da utopia. acabou o tempo em que os faraós inscreviam seu nome nas rochas do tempo. para cioran os ciganos são o verdadeiro povo eleito: triunfaram do mundo por sua vontade de não fundar nada nele"

marco lucchesi

aqui e ali.

contos dos subúrbios.

ontem acabei-o.
acabei-o quando acabei aqui. decisão simples, seria na primeira em que a partilharia com um azul céu ou na última antes de me fartar.
e assim foi, isto:

"só nessa altura, à luz dos potentes faróis que varriam a estrada, vi a nossa carga pela primeira vez: as patinhas fragéis que tentavam segurar-se a qualquer coisa, as minúsculas cabeças indescrutáveis a olhar em todas as direcções, as bocas silenciosas a abrir e a fechar. nove tartarugas pequeninas - não tínhamos podido salvar mais, só aquelas nove. viraram a cabeça para mim, com os olhos que pareciam botõezinhos pretos, do tamanho de cabeças de alfinete, a pestanejar. só consegui pensar numa coisa, e explodi num berro a lançar-nos para a escuridão: acelera! acelera! acelera!"

aqui:

terça-feira, 19 de abril de 2011

fish tank.

o foca desfoca.
a não-existência de fronteira entre o (in)dispensável.
força bruta. na simplicidade do acto. na inevitabilidade do acto. e...

fish tank
andrea arnold
[2009]

segunda-feira, 18 de abril de 2011

coraline não caroline.

selick, absolutamente selick.
do embalo do genérico ao embate do "cuidado com o que desejas".
aqui. em mim.

coraline
henry selick
[2009]

domingo, 17 de abril de 2011

galo(s) de ouro.

primeiras linhas de um quente, vivo e apaixonante rulfo.

diz roa bastos "só quando um autor soube entregar-se até este ponto é que deixa, na essência da linguagem - social, por natureza - a essência da vida na vida das formas simbólicas."

e que linguagem... como que a américa do sul em pequenas letrinhas... que vida.

"ambos partiram em direcção à ausência."

"pois árvore que não enraíza, não cresce."

sábado, 16 de abril de 2011

ggm

"...pois nem então, nem nunca, eu tinha escrito para ser famoso, mas sim para que os meus amigos gostassem mais de mim".
eu gosto de ti marquez. gosto de ti.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

beijo.

por que me descobriste no abandono
com que tortura me arrancaste um beijo 

por que me incendiaste de desejo
quando eu estava bem, morta de sono

com que mentira abriste meu segredo
de que romance antigo me roubaste
com que raio de luz me iluminaste
quando eu estava bem, morta de medo

por que não me deixaste adormecida
e me indicaste o mar, com que navio
e me deixaste só, com que saída

por que desceste ao meu porão sombrio
com que direito me ensinaste a vida

quando eu estava bem, morta de frio

chico buarque

palminha.

grande na luz.
talvez também no som.
e no perspectivar.
mas...

loong boonmee raleuk chat
(tio boonmee que recorda as suas vidas passadas)
apichatpong weerasethakul
[2010]

segunda-feira, 11 de abril de 2011

rulfo.

ando a descobrir o rulfo.

esta manhã, 08.40h, caminho sob um céu azul céu a ler. desfruto a brisa última de um dia que será quente. lei-o compulsivamente e...

"ontem à noite sonhei que te amava,
como se ama uma vez na vida
despertei e tudo era mentira,
nem sequer me lembro de ti."

ai.

hoje, cortázar.

 "Em suma, desde pequeno, a minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia da minha relação com o mundo em geral. Parece que nasci para não aceitar as coisas como me são dadas."


(J. Cortázar)

nobre (?), fernando.


entronizações à parte, nobre obteve um fantástico resultado nas últimas eleições presidenciais.

ouvi o seu discurso nesse dia com atenção. até aceitei a sua consideração vitoriosa. não percebi a inexistência de uma palavra para a "brutal" derrota de todos os candidatos (cavaco silva reeleito na primeira volta).

não percebi. continuei sem perceber. até hoje.

mais um movimento de cidadãos que se desmorona porque o seu "líder", numa "pulsão de poder" vai... vai, vai e vai.

enfim.

descrédito sobre descrédito sobre descrédito.

assim estamos.

domingo, 10 de abril de 2011

carolinas de todo o mundo, uni-vos!

carolina, 10 anos, se fosse primeiro-ministro dava uma família a cada português(a).

sábado, 9 de abril de 2011

desprendamo-nos, sim?

"é desprendermo-nos das coisas de que não precisamos e viver de uma maneira mais leve. nós portugueses comos muito agarrados às coisas: somos tralhistas e deveríamos ser sucateiros. o tralhista acumula, o sucateiro recicla."

miguel esteves cardoso
[p2; 8.4.11]

quinta-feira, 7 de abril de 2011

fmi e o país limpinho...

...sócrates quer parecer limipinho. bem.
o fmi quer o país limpinho. bem.
o bem. e o mal. e o julgar.
assim estamos...

terça-feira, 5 de abril de 2011

epitáfio do apaixonado.

sim, mas...

"se alguém quiser escrever a minha biografia
não há nada mais simples.

à sua disposição tem apenas duas datas:
a do dia em que te conheci
e a daquele em que te foste.

entre uma e outra decorreu a minha vida.
o que sucedeu antes, esqueci-o.
o que acontece agora, carece já de importância."

juan bonilla

as oportunidades surgem quando menos se espera...

...reza assim a carta que hoje mesmo recebi do bes.

e diz: "o bes coloca à sua disposição um crédito pré-aprovado até 20000€".

a imoralidade é escola neste nosso cantinho. escola.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

(o mundo e a) ausência às aulas desta semana.

"
date: mon, 4 apr 2011 19:57:33 +0100
subject: ausência às aulas desta semana
from: ...
to: ...


caros professores,
venho por este meio informar que devido a motivos financeiros não poderei estar em évora para assistir às aulas desta semana. ser-me-á possível justificar estas faltas? como?
grata pela atenção,
... , 25...
"

que mundo. que mundo.

john cage.

"uma vez tive um emprego a lavar pratos no salão de chá pássaro azul, em carmel, califórnia. trabalhava 12 horas por dia na cozinha. lavava todos os pratos, panelas e sertãs, esfregava o chão, lavava os legumes, caixas de espinafres, por exemplo; e se a dona aparecesse e me encontrasse a descansar, mandava-me para as traseiras cortar madeira. ela pagava-me um dólar por dia. um dia soube que um pianista famoso vinha à cidade para um recital, e decidi terminar o meu trabalho o mais rápido possível, a fim de chegar ao concerto sem perder muito. assim fiz. por azar, o meu lugar era ao lado do da proprietária do salão de chá pássaro azul, a minha patroa. eu disse: "boa noite". ela olhou para o outro lado, sussurrou para a filha. levantaram-se e abandonaram a sala."

raparigas?

o desconcertante olhar da mulher que escreve sobre o homem.

um livro, livro. um olhar, olhar.

gosto-te edna.

raparigas da província
edna o'brien
[2010]

"mas depois disso eu não ouvi mais nada, porque não se ouve nada, nem ninguém, quando todo o nosso corpo grita e grita pela coisa que perdeu. que perdeu. que perdeu." (p. 57)

"ele escapuliu-se justamente quando as coisas estavam perfeitas, como se não conseguisse suportar a perfeição" (p. 192)

"chorei durante muito tempo na cama, até que comecei a sentir muito frio. uma pessoa começa sempre a sentir mais frio, depois de passar horas a chorar. por fim levantei-me e acendi a luz. desci a escada para ir fazer uma chávena de chá. ainda tinha o telegrama na mão, feito numa bola. voltei a lê-lo. dizia exactamente a mesma coisa." (p. 212)

quinta-feira, 31 de março de 2011

entre março e abril... valladolid.

bom (muito bom), o trabalho.
já a cidade...

segunda-feira, 28 de março de 2011

souto pritzker moura.

há um portugal. e há outro portugal.
grande.

kaplanoglu.

"o princípio é aquilo que fica connosco até ao fim."

incêndio(s) em mim...

a câmara que olha. a câmara que é um olhar.

aquelas terras.

obrigado, villenevue.

incendies (incêndios)
denis villeneuve
[2010]

domingo, 27 de março de 2011

babel.

este nome transpira simbolismo... e cultura.

depois do filme... este.

hummmm!!!

babel
sidi larbi cherkaoui
damien jalet
[ccb; 26.03.11]

quinta-feira, 24 de março de 2011

é triste...

...quando não posso / podemos comemorar a partirda de alguém [sócrates] que queria / queríamos ver partir porque determina a chegada de alguém [passos e portas] que absolutamente não queria / queríamos.

é muito triste.

lobo antunes e os títulos...

"eu hei-de amar uma pedra" (sempre comigo)

e

"tudo o que nos abandona precisa de muito tempo para desaparecer" (o de hoje)

fantástico.

quarta-feira, 23 de março de 2011

kynodontas...

...um filme grego como uma "pedrada no [parado] charco" do cinema contemporâneo.

a olhar.

a sorrir.

kynodontas (dogthoot)
giorgos lanthimos
[2009]

terça-feira, 22 de março de 2011

na tamara_23.03.2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

baile da primavera.

poesia...

pura poesia.


shi (poesia)
chang-dong lee
[2010]

domingo, 20 de março de 2011

ws eos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

azul.

Hoje o céu está mais azul,
eu sinto...
Fecho os olhos.
Mesmo assim eu sinto...
O meu corpo estremeceu.
Não consigo adormecer.

Nem o tempo vai chegar
Para dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim.
É uma espécie de dor...

Hoje o céu está mais azul
eu sinto...
Olho à volta
E mesmo assim eu sinto
Que este amor vai acabar
e a saudade vai voltar...

Já não sei o que esperar
Dessa vida fugidia...
Não sei como explicar
Mas eu mesmo assim o amo.

rosa
rodrigo leão

daqui a meia hora está o pão cozido.

01 - Deste lado do mundo . From this side of the world | Pão from Vitor Gabriel on Vimeo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

a tilda e o amor.

a mulher e o (seu) tapete...

 io sono l'amore (eu sou o amor)
luca guadagnino
[2009]

quarta-feira, 16 de março de 2011

(des)construir a (in)disciplina.

sim.

já cá faltava...


 "importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do ultramar."

discurso de homenagem aos combatentes do ultramar
cavaco silva
 [15.03.2011]

terça-feira, 15 de março de 2011

odeio a subtileza.

voltaste a deixar
as minhas malas à porta
como um conselho subtil
de um bom amigo.

sinceramente,
preferia ver voar
os jarros chineses da tua mãe.
sempre odiei a subtileza
e tu sabe-lo.

não sejas tonta.
no fim de contas
se eu me for
quem é que te trará insegurança.

sempre odiei a subtileza
santiago nuñez pedregosa

domingo, 13 de março de 2011

dozes de março.

muitos.
muitos são necessários.
pelo povo "sem carimbo".
sem aquele chip que não define o que teremos mas o que poderemos ter. que não define o que viveremos mas o que poderemos viver. que não define quem seremos mas quem poderemos ser.
impacientemo-nos pelo povo "sem carimbo".
só nessas condições a verdadeira liberdade emergirá.
só assim.

quinta-feira, 10 de março de 2011

25 meses depois... mundo(s) novo(s),

sobre a esperança tem-se escrito muito e discursado muito mais. tal como sucede com a utopia, a esperança foi sempre, ao longo dos tempos, uma espécie de paraíso dos cépticos. e não só dos cépticos. crentes fervorosos, daqueles que estão convencidos de que levam por cima das suas cabeças a mão compassiva de deus a defendê-los da chuva e do calor, não se esquecem de lhe rogar que cumpra nesta vida ao menos uma pequena parte das bem-aventuranças que prometeu para a outra. por isso, quem não está satisfeito com a escassez que lhe coube na desigual distribuição dos bens do planeta, agarra-se à esperança de que o diabo nem sempre estará atrás da porta e que a riqueza lhe entrará mais cedo ou mais pela janela. quem tudo perdeu, mas conservou ao menos a triste vida, considera que lhe assiste o humano direito de esperar que o dia de amanhã não seja tão desgraçado como foi o dia de hoje. supondo, claro está, que haja justiça neste mundo. ora, se neste planeta existisse alguma coisa que merecesse semelhante nome, não a miragem do costume com que nos iludem os olhos e a mente, mas uma realidade que se pudesse tocar com as mãos, é evidente que não precisaríamos de andar todos os dias com a esperança ao colo, ou embalados nós ao colo dela. a simples justiça (não a dos tribunais, mas a daquele fundamental respeito que deveria presidir às relações entre os humanos) se encarregaria de pôr todas as coisas nos seus justos lugares. dantes, ao pobre de pedir a quem acabava de negar a esmola, dizia-se-lhe hipocritamente que “tivesse paciência”. penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a que tenha paciência. é muito comum ouvir dizer que a impaciência é contra-revolucionária. talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. já é hora de que ela se note no mundo para que alguma coisa comecem a aprender aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças.

esperanças
josé saramago
 jornal de letras
[10.02.2009]

quarta-feira, 9 de março de 2011

dia triste. triste dia.

cá vamos nós outra vez.
cá vamos nós outra vez.

terça-feira, 8 de março de 2011

mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre, tomando sempre novas qualidades
 
e se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança

continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem, e do bem, se algum houve, as saudades

mas se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança
 
o tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e em mim converte em choro o doce canto.
e em mim converte, e em mim converte em choro o doce canto

mas se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança

e, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto:
que não se muda já como soía
que não se muda, que não se muda já como soía

mas se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança
josé mário branco

kundera. meu kundera.

e arte de romancear.

l'ignorance (a ignorância)
milan kundera
[2011]
"para saborear, numa calma reencontrada, a liberdade da solidão".

e sim, inquieta ironia...

um pormenor e...
nem parte, nem tudo, nem nada
só uma inquieta calma.

cavalo marinho?

sábado, 5 de março de 2011

hoje mesmo.

a festa na escola.
e o vazio do pós. o costume.

quarta-feira, 2 de março de 2011

abbas godard.

a ver...

 
nema-ye nazdiz (close-up)
abbas kiarostami
[1990]
e a pensar...

"o que há de belo no cinema é a parte da vida e o que há de bela na vida é a parte do cinema." (jean-luc godard)

terça-feira, 1 de março de 2011

sinto falta.

sinto falta de ti em mim.
sinto falta de mim em mim.